12 de fev. de 2010

O que é Biologia?

TEMPO PREVISTO: 6 horas

CAPACIDADE

• Reconhecer a Biologia como um fazer humano e, portanto, histórico, fruto da conjugação de fatores sociais, políticos, econômicos, culturais, religiosos e tecnológicos.
• Compreender a constituição básica de seres vivos (átomos, moléculas, células) bem como os processos complexos que determinam o funcionamento e as características dos organismos vivos.

APRENDIZAGENS ESPERADAS / CONTEÚDOS DE DIFERENTES TIPOS

• Reconhecer a importância da ciência e posicionar-se de maneira crítica diante dos fenômenos que impactam sua realidade.
• Estabelecer relação entre informações e processos com seus contextos e com diversas áreas do conhecimento.
• Identificar dimensões sociais e éticas em questões técnicas e científicas.
• Reconhecimento e valorização do papel da ciência e da tecnologia na construção do mundo contemporâneo.
• Identificação e descrição de diferentes representações de fenômenos biológicos a partir de textos e imagens.
• Consulta, análise e interpretação de textos e comunicações referentes aos assuntos estudados veiculados por diferentes meios.
• Apresentação, de forma organizada, do conhecimento biológico aprendido, através de textos, desenhos, esquemas, gráficos, tabelas, maquetes etc.
• Identificação das principais características dos seres vivos (composição química, organização celular, metabolismo, reprodução, evolução biológica etc.).
• Identificação dos diferentes níveis hierárquicos de organização do mundo vivo (átomos e moléculas, células, tecidos, órgãos, sistemas, organismos, populações, comunidades biológicas, ecossistemas e biosfera).

RECURSOS

• Textos disponibilizados com antecedência na xérox ou distribuição de cópias no dia da aula para cada aluno ou grupo de alunos.
• Retroprojetor ou data show para exposição de textos e ou imagens.
• Sala de aula ou sala de vídeo (agendado previamente).

SITUAÇÕES DE APRENDIZAGENS

Professor: Se perguntarmos aos nossos alunos o que é biologia? Tal vez, a resposta mais comum possa ser “é a ciências que estuda os seres vivos”. De fato, mas não apenas isso. Perguntemos a eles: Quais as imagens ou palavras que vem à cabeça quando escutam falar em Biologia? – animais, floresta, sexo, corpo humano, ecologia, poluição, etc. Essas podem ser uma das tantas respostas.
Mas é necessário perceber que todas essas citações não estão ligadas apenas à biologia, mas, associadas a outras áreas de conhecimento. Por exemplo, Para poder entender como as plantas conduzem os líquidos em seu interior, não basta conhecer suas estruturas morfológicas, mas é preciso entender fenômenos físicos e químicos como pressão, adesão e coesão, que permitem o fluxo de seiva pelos vasos condutores das plantas.
Esse conhecimento por si só também não seria suficiente. Conhecer a dinâmica de vida de certa planta e sua importância (o tipo de solo que ela precisa para ser cultivada, a quantidade de nutrientes e água necessários à sua sobrevivência, o momento certo de plantar e colher, sua demanda no mercado e como ela pode afetar a economia do país, de um estado, de uma comunidade, de uma família, do aluno...), implica utilizar uma serie de conhecimentos relacionados à agricultura, geografia, política, economia, etc. Essas informações complementam a visão global de um determinado conteúdo ou fenômeno, ampliando o horizonte de compreensão do mundo real em que o aluno está inserido.
Sendo assim, dialoguemos com nossos alunos de modo a perceber a visão que eles têm a respeito da disciplina, isto servirá como diagnóstico inicial da turma. O que lhe dará valiosos elementos de como fazer a abordagem dos assuntos a serem explorados em sala de aula.

1 – Apresentar para os alunos os seguintes trechos retirados da nossa Constituição Política (Textos 1 e 2) e um fragmento da UNESCO sobre os direitos dos animais (Texto 3). Em síntese, estes trechos garantem o direito à vida.

Texto 1 (em anexo)
Texto 2 (em anexo)
Texto 3 (em anexo)

Então, de posse das informações anteriores, a que conclusões podemos chegar se confrontamos a base legal dos textos 1, 2 e 3 com o teor do artigo jornalístico a seguir.

Artigo:
Desmatar é remédio para crise da comida, diz governador de MT. (em anexo)

Mesmo numa aula introdutória, fica impossível não envolver outras áreas de conhecimento. Biologia é muito mais do que sugere o significado etimológico da palavra bios=vida e Logos=estudo.

Os questionamentos a seguir, orientam a discussão em sala de aula sobre o teor do texto jornalístico.

a) Quais as interpretações que podemos fazer em relação a este artigo com os direitos que garantem a vida e a preservação do meio ambiente?
b) Como podemos criticar o desmatamento numa situação como esta, em que se coloca a necessidade alimentar dos homens em primeiro plano?
c) O crescimento populacional exige uma maior demanda de alimentos?
d) O aumento da produção de alimentos está relacionado com o desmatamento?
e) Será que não há outras alternativas?
f) Como resolver a falta de alimentos?
g) Quais os reais interesses por trás do desmatamento?
h) E os animais silvestres? Como ficam nessa história?
i) O direito à vida e a conservação do meio ambiente estão sendo respeitados?
j) Como podemos nos posicionar diante das declarações do governador de Mato Grosso?
k) O que a biologia tem a ver com essa problemática?

O propósito dos Textos 1, 2 e 3 e do Artigo de jornal é proporcionar uma visão de confronto entre legislação e atividades constantes de desmatamento. Com isso o aluno é levado a perceber que essas e outras atividades estão sempre relacionadas a fatores sociais, compreende que o estudo de biologia sempre se associa a outras áreas de conhecimento de modo a formar uma idéia mais abrangente dos fenômenos à nossa volta.

Sendo assim, o aluno será convidado a elaborar uma carta para ser encaminhada (de forma fictícia) ao Jornal A Folha na qual se manifestará sobre a atitude de desmatamento do governador de MT. A carta será construída no formato de Carta do Leitor e depois de confeccionada será lida em sala de aula. (ver anexo com modelo e orientações sobre este gênero de carta).

2 – Os textos escolhidos na atividade anterior têm como destaque a vida. Dessa forma, como podemos definir vida? Como podemos definir as “Características dos seres vivos”? A proposta desta atividade é desenhar no quadro (lado a lado separados por uma linha vertical) um ser vivo qualquer que represente seres do reino animal, por exemplo. Do outro, um objeto qualquer que represente seres não vivos. Certamente os alunos sabem diferenciar um ser vivo de um não vivo, mas conseguem definir as características próprias dos seres vivos que as diferenciam dos seres não vivos? Então, a idéia é essa, registrar as citações que eles atribuírem pertinente a cada ser representado. A intenção é permitir que eles mesmos percebam suas diferenças anatômicas, fisiológicas e até mesmo semelhanças. A seguir, as características citadas pelos alunos serão usadas para conceituar de forma resumida e clara: composição química, ciclo vital, organização celular, metabolismo, reação e movimento, crescimento e reprodução, hereditariedade e variabilidade genética.

Os textos a seguir podem ajudá-lo com a definição de vida, use-as para enriquecer sua contextualização, seus conteúdos, e sanar possíveis duvidas com seus alunos.

Uma definição de vida (em anexo)

Vamos CRITICAR o que estudamos:
E as exceções? (em anexo)

Minerais crescem... E agora? (em anexo)

3 – Agora é o momento de compreender como estes seres se organizam. Será apresentado para o aluno a seqüência dos “níveis de organização dos seres vivos” conceituando-se cada um deles usando vários exemplos (a ilustração de níveis hierárquicos dos seres vivos está disponível em anexo). O aluno será levado a perceber que existe uma seqüência lógica na organização dos níveis, onde é possível observar o arranjo biológico destes seres que se organizam a partir de uma estrutura simples para uma mais complexa e como estes seres se relacionam com seu meio ambiente. Após a conceituação dos níveis hierárquicos dos seres vivos será apresentado uma imagem paisagística (animais e natureza) e os alunos serão convidados a organizar o observado segundo os níveis hierárquicos dos seres vivos. Será que eles conseguem organizar o que vêem, dentro dos níveis hierárquicos dos seres vivos? Eis o desafio desta atividade.
Ex:

 
A zebra é um organismo, um conjunto de zebras forma uma população; no ambiente vejo conjunto de zebras, de guinus, gramíneas e árvores que formam uma comunidade; esses seres interagem entre si, e com o meio, ou seja, com o ar, com a luz do sol, com a água dos rios e igarapés, essas interações entre seres bióticos e fatores abióticos formam ecossistemas; o conjunto dos diversos ecossistemas forma a biosfera que é toda porção do planeta terra com presença de vida.

AVALIAÇÃO DAS APRENDIZAGENS

O aluno que se vê convidado a refletir sobre o mundo que o cerca sente que não está respondendo a uma questão apenas porque o professor quer assim, mas percebe a importância do estudo de biologia para o conhecimento de uma realidade da qual ele próprio faz parte. Sendo assim, a avaliação escolar deve permitir verificar não apenas a retenção de informações sobre a matéria pelo aluno, mas, principalmente, se os alunos estão sendo capazes de utilizar aquilo que aprenderam, seja a partir dos exemplos dados pelo professor ou pela aplicação de tais conhecimentos teóricos adquiridos, na resolução de problemas práticos do cotidiano.

• Observação, registro e análise dos conhecimentos que o aluno já possui sobre:
o O que é Biologia;
o Características que diferenciam os diferentes seres vivos;
• Avaliação da participação e disposição do aluno nas diferentes atividades realizadas.
• Acompanhamento da aprendizagem das diferentes linguagens ou formas de representação trabalhadas em um tema: texto, tabela, quadro, gráfico, esquemas de etapas de transformação, maquete, relato pessoal, relatório, carta ou outra.
• Verificação da aquisição de nomenclatura específica da disciplina no discurso oral e produção escrita dos alunos.
• Registros elaborados pelos alunos das atividades investigativas, pesquisas, debates etc.
• Atividades de descrição e identificação, em esquemas e fotografias dos níveis hierárquicos de organização dos seres vivos.

ANEXOS

1 –

(Texto 1)
TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO I
DOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida...

(Texto 2)
CAPÍTULO VI
DO MEIO AMBIENTE

Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.

§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas...

(texto 3)
DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS
PREÂMBULO

• Considerando que todo o animal possui direitos;
• Considerando que o desconhecimento e o desprezo destes direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza [...]
• Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante;
• Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais.

PROCLAMA-SE O SEGUINTE:
Art. 1º - Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à existência.
Art. 2º
1. Todo o animal tem o direito a ser respeitado.
2. O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao serviço dos animais.
3. Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem...

Art. 14º
1. Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental.
2. Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem...

(*) A Declaração Universal dos Direitos dos Animais foi proclamada pela UNESCO em sessão realizada em Bruxelas - Bélgica, em 27 de Janeiro de 1978. (da qual o Brasil é signatário).

Artigo: Publicado em 25/04/2008 - 03h26
Desmatar é remédio para crise da comida, diz governador de MT

O governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR-MT), defendeu o direito ao desmatamento --desde que não o ilegal-- como um mecanismo "inevitável" para enfrentar a crise global de alimentos, revela reportagem de Rodrigo Vargas publicada na Folha desta sexta. Em entrevista à Folha, Maggi avaliou que será preciso encontrar uma "posição intermediária" que assegure o aumento da produção agrícola.
"Com o agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será inevitável discutir se vamos preservar o ambiente do jeito que está ou se vamos produzir mais comida. E não há como produzir mais comida sem fazer a ocupação de novas áreas e a retirada de árvores."
O Mato Grosso é o Estado com mais municípios entre os líderes do desmatamento no país. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, entre municípios com maior desmatamento de agosto a dezembro de 2007, sete dos dez primeiros colocados estavam no MT.
Segundo reportagem publicada em janeiro pela Folha, Maggi controla um quarto das 36 cidades apontadas pelo ministério como as campeãs do desmatamento.
Dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) mostram que a devastação está em ritmo acelerado, numa média de mais de 1.000 quilômetros quadrados por mês. Um relatório do Bird (Banco Mundial) aponta que, entre 2000 e 2005, o Brasil desmatou um total de 31 mil km² de sua área florestal, o que colocou o país no topo dos desmatadores do mundo.
Fonte: www.folha.uol.com.br

A carta do leitor é uma maneira de fazer parte da opinião pública!
Você já observou que nos jornais e revistas há um espaço reservado para que a opinião dos leitores seja publicada?
Estamos falando das cartas dos leitores, as quais mostram opiniões e sugestões; debatem os argumentos levantados nos artigos e fazem críticas a respeito; trazem perguntas, reflexões, elogios, incentivos, etc. Para o leitor é o meio de expor seu ponto de vista em relação ao assunto lido, para o veículo de informação é uma arma publicitária para saber o que está agradando a opinião pública.
O objetivo do leitor ao escrever uma carta para um jornal da cidade ou uma revista de circulação nacional é tornar pública sua idéia e se sentir parte da informação. A carta do leitor é tão importante que pode ser fonte para uma nova notícia, uma vez que ao expor suas considerações a respeito de um assunto, o destinatário pode acrescentar outros fatos igualmente interessantes que estejam acontecendo e possam ser abordados.
Deve-se ter muito cuidado ao redigir uma carta, pois será lida por muitas pessoas. Por isso, revise o texto e observe com atenção se há clareza nas frases, se os períodos não estão muito longos e se não há repetições de ideias ou palavras, se há erros de pontuação e grafia.

Importante: Não se preocupe apenas em dizer o que pensa, o que acha, mas dê seu ponto de vista sempre explicando com muito cautela e, se expor fatos, tenha certeza de que são verdadeiros.

A carta do leitor é composta pela seguinte estrutura:

• Título (que é opcional, já que caberia à Revista fazê-lo; CONTUDO, seria um bom exercício verificar se o aluno tem capacidade de elaborar um título coerente com a matéria e com a sua carta);
• Não ser muito extensa, em virtude da natureza da carta de leitor (entre 10 e 15 linhas manuscritas);
• Estar na norma culta da língua portuguesa, já que a carta é veiculada em contextos formais de linguagem;
• Apresentar referencia (a que matéria se refere? de quando?);
• Texto com boa argumentação;
• Assinatura, cidade e estado.

Exemplos:

Tráfico
A reportagem "Podia ser sua filha" (14 de novembro) é de abafar qualquer coração de mãe. Uma jovem preparando-se para o vestibular e linda como minha filha... É com imensa tristeza que temos de nos posicionar, ficar alertas e em oração. Jovens de todas as classes sociais estão envolvidos com esquemas de distribuição e uso de drogas. Eles sabem muito bem que estão fazendo algo errado. São inteligentes, universitários, informados, lidam com precisão com a internet... O desejo de ganhar dinheiro "fácil" é uma febre mortífera em nosso país.
Magali Vasconcelos Nunes
Belo Horizonte, MG

Resorts
Fico satisfeito de ver que finalmente o enorme potencial turístico do Brasil começa a ser transformado em realidade ("Os resorts vão esquentar o verão", 13 de dezembro). Eu gostaria, entretanto, de lembrar que há resorts em outras regiões do país, como o incrível Tropical de Manaus, a Pousada do Rio Quente, em Goiás, Caldas da Imperatriz, em Santa Catarina, além de outros.
Sergio Bueno
São Paulo, SP


2 –

Uma definição de vida
Existem diversas definições de vida e alguns cientistas eminentes acham mesmo que não é possível defini-la claramente. Entre estes últimos, destaca-se o renomado zoólogo alemão, naturalizado norte-americano, Ernest Mayr, que disse o seguinte, em 1982: “Tentativas foram feitas repetidamente para definir ‘vida’. Esses esforços são um tanto fúteis, visto que agora está inteiramente claro que não há uma substância, um objeto ou uma força especial que possa ser identificada à vida”. Mayr admite a possibilidade de definir o que ele chama de “processo da vida”. Diz ele: “O processo da vida, contudo, pode ser definido. Não há duvidas de que os organismos vivos possuem certos atributos que não são encontrados [...] em objetos inanimados”.
Em 1959, N. Horowitz afirmou que a vida “caracteriza-se por auto-replicação, mutabilidade e troca de matéria e energia com o meio ambiente”. Em 1986, o biólogo evolucionista inglês John Maynard Smith considerou que “[...] entidades com propriedades de multiplicação, variação e hereditariedade são vivas, e entidades que não apresentam uma ou mais dessas propriedades não o são”. S. J. Wicken, por sua vez, em 1987 definiu vida como “uma hierarquia de unidades funcionais que, através da evolução, tem adquirido a habilidade de armazenar e processar a informação necessária para sua própria reprodução”.
Note que as propriedades listadas nessas definições são as essenciais para garantir a evolução por seleção natural. Assim, além de conter a visão bastante difundida de que os seres vivos são sistemas químicos altamente organizados, que se mantêm a custa de gasto de energia e que podem se multiplicar, as principais definições de vida consideram que uma das características intrínsecas à vida é sua capacidade de evoluir, adaptando-se aos ambientes.
Texto adaptado de: Amabis e Martho – Biologia das Células, 2004.

Vamos CRITICAR o que estudamos:
E as exceções?
Em ciência, é muito difícil definir ou mesmo caracterizar alguma coisa ou algum fenômeno, pois freqüentemente nos deparamos com exceções. Assim, quando estudamos, devemos estar atentos ao fato de que as afirmativas, de modo geral, referem-se ao que é mais freqüente, ao que acontece na maioria dos casos ou dos indivíduos. Veja um exemplo.
Dissemos que os seres vivos possuem vida, isto é, mantêm-se em constante atividade. Essa é uma afirmativa muito boa e importante para caracterizar a vida. No entanto, sabemos que algumas bactérias, como o bacilo causador do tétano, podem permanecer em forma de cistos durante anos, sem aparente manifestação vital. É o que se chama “vida latente” – esses seres não estavam mortos, pois podem voltar à atividade vital, normalmente, se encontrarem condições favoráveis.

CARACTERISTICAS GERAIS

NÃO SIGNIFICAM

CARACTERÍSTICAS ABSOLUTAS

Minerais crescem... E agora?
O que caracteriza um ser vivo não é bem o fato de ele crescer, mas sim o tipo de crescimento por meio do qual ele aumenta de tamanho. O ser vivo transforma o alimento e o utiliza para suas funções vitais, inclusive para o crescimento. Lembremos que um fator importante para o crescimento dos multicelulares é a capacidade de multiplicação de suas células.
Os minerais também crescem, mas não possuem metabolismo. Ocorre apenas deposição de material, que é agregado ao material já existente, geralmente constituído pela mesma substância química. Os Geodos são formações que se desenvolvem como “bolsas” dentro da rocha. Os minerais que crescem voltados para o espaço interno dessas bolsas podem formar cristais com formas geométricas bem definidas, pois crescem livres, sem a pressão dos demais. Os minerais que espremem uns contra os outros, formando as paredes do geodo não chegam a desenvolver faces de cristais: permanecem uniformes.
Texto adaptado de: J. Laurence – Biologia. Pag. 28, 2005.

3 – Níveis hierárquicos dos seres vivos.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

AMABIS, J. M.; Martho G. R. Biologia das células. 2. Ed. Moderna, São Paulo, 2004. 464 p., v. 1.

LAURENCE, J. Biologia. Nova Geração, São Paulo, 2005. 696 p.

FROTA-PESSOA, Oswaldo. Os caminhos da vida – Biologia no ensino médio: Estrutura e ação. Scipione, São Paulo, 2001. 343 p.

VARGAS, Rodrigo. Desmatar é remédio para crise da comida, diz governador de MT. Folha UOL. São Paulo, 25 de abr. 2008. Disponível em: Acesso em: 10 de jun. 2008.

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. 292 p.

Declaração Universal dos Direitos dos Animais. Instituto Butantan. São Paulo, 2006. Disponível em: Acesso em: 10 de jun. 2008.

MAGALHÃES, Tânia Guedes. Carta de Leitor. Portal do Professor. Minas Gerais, 20 de nov. 2009. Disponível em: < http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=8953> Acesso em: 12 de fev. 2010.

VILARINHO, Sabrina. A carta do leitor é uma maneira de fazer parte da opinião pública. Brasil Escola. Disponível em: < http://www.brasilescola.com/redacao/a-carta-leitor.htm> Acesso em: 11 de fev. 2010.

25 de mai. de 2009

Sobre o Acre

O Acre é um dos 27 estados brasileiros. Ele é o 16º em extensão territorial, com uma superfície de 164.123,738 km², correspondente a 4,26% da Região Norte e a 1,92% do território nacional. O Estado está situado num planalto com altitude média de 200 m, localizado no sudoeste da Região Norte, entre as latitudes de -7°06´56 N e longitude - 73º 48' 05"N, latitude de - 11º 08' 41"S e longitude - 68º 42' 59"S. Os limites do Estado são formados por fronteiras internacionais com Peru (O) e Bolívia (S) e por divisas estaduais com os estados do Amazonas (N) e Rondônia (L). As cidades mais populosas são: Rio Branco, Cruzeiro do Sul, Feijó, Tarauacá e Sena Madureira.

O nome Acre surgiu de “Aquiri”, que significa “rio dos jacarés” na língua nativa dos índios Apurinãs, os habitantes originais da região banhada pelo rio que empresta o nome ao estado. Os exploradores da região transcreveram o nome do dialeto indígena, dando origem ao nome Acre. Os primeiros habitantes da região eram os índios, até 1877, quando imigrantes nordestinos arregimentados por seringalistas para trabalhar na extração do látex, devido aos altos preços da borracha no mercado internacional, iniciaram a abertura de seringais. Este território, antes pertencente à Bolívia e ao Peru, foi aos poucos sendo ocupado por brasileiros. O imigrantes avançaram pelas vias hidrográficas do rio Acre, Alto-Purus e Alto-Juruá, o que aumentou a população do local em cerca de quatro vezes em um ano. Buscando garantir o domínio da área, os bolivianos instituíram a cobrança de impostos sobre a extração da borracha e a fundação da cidade de Puerto Alonso. Após conflitos armados a cidade foi retomada por brasileiros e rebatizada como Porto Acre. A revolta dos brasileiros diante destas medidas resultou em conflitos que só tiveram fim com a assinatura do Tratado de Petrópolis em 17 de novembro de 1903, no qual o Brasil adquiriu o território do Acre. Na região de fronteira com o Peru também houve controvérsias quanto aos limites territoriais. Em setembro de 1903, os peruanos foram expulsos das áreas ocupadas, sendo resolvido o impasse territorial em 8 de setembro de 1909, tendo como representante nas negociações o Barão do Rio Branco, então Ministro das Relações Exteriores.Unificada a partir de 1920, a administração do Acre passou a ser exercida por um governador nomeado pelo Presidente da República. Até que em 15 de Junho de 1962 foi sancionada pelo Presidente da República João Goulart a Lei 4.070, que elevou o Acre a categoria de Estado. E em Outubro de 1962 foi eleito o primeiro governador do Estado do Acre, José Augusto de Araújo.

Dados gerais
Sigla: AC
Habitante: Acreano
Capital: Rio Branco
População: 881.935 (estimativa IBGE/2019)
Área: 164.123,738 km²
Densidade populacional: 4,47 hab/km²
Hora local (em relação à Brasília): -2h.

Situação geográfica
Localização: sudoeste da região Norte.
Limites: Amazonas (N); Rondônia (L); Bolívia (SE); Peru (S e O).
Características: planalto (maior parte do território); Serra da Contamana (O).
Clima: equatorial.
Rios principais: Juruá, Tarauacá, Muru, Envira, Xapuri, Purus, Iaco, Acre.
Número de municípios: 22.

Governo
Governador: Gladson de Lima Cameli
Vice: Wherles Rocha

Cidades mais populosas
Rio Branco – Capital: 314.127 hab. (8.831 Km²)
Cruzeiro do Sul: 86.725 hab. (8.816 Km²)
Feijó: 39.365 hab. (27.964 Km²)
Sena Madureira: 33.614 hab. (23.732 Km²)
Tarauacá: 30.711hab. (20.199 Km²)
Senador Guiomard: 21.000 hab. (2.321 Km²)
Fonte: IBGE, 2006; CPI dos limites do Estado do Acre, 2006.

Perfil do Novo Professor

O papel do professor: guiar o aprendizado


A facilidade com que os alunos interagem com a tecnologia também impôs uma mudança de comportamento em sala de aula. Hoje, já não é exclusividade dos mais jovens manter blogs, atualizar perfis em redes sociais ou bater papo com amigos na internet. A geração digital passou a exigir que o professor fizesse o mesmo - e ele está mudando pouco a pouco. Os motivos são claros. Em um mundo onde todos recorrem à rapidez do computador, nenhuma criança aguenta mais ouvir horas de explicações enfadonhas transcritas em uma lousa monocromática. "A tecnologia faz parte do cotidiano de todos os jovens. Os alunos esperam que o professor se utilize disso em sala de aula. Seu papel mudou completamente, mas continua essencial. Ele guia o processo de aprendizagem, sendo o elo entre o aluno e a comunidade científica", afirma Linda Harasim, professora da Universidade Simon Fraser, em Vancouver, no Canadá.

O problema é, justamente, adaptar a tecnologia ao conteúdo pedagógico. É consenso entre os especialistas que não basta apenas investir em laboratórios, salas multimídia e projetores de luz. Muitas escolas, mesmo aquelas que gastam rios de dinheiro em equipamentos de última geração, deixam de lado o treinamento dos professores. Sem mudança na metodologia, as novas ferramentas são subtilizadas. "Passamos praticamente uma década do novo milênio e nosso modelo educacional ainda reflete a prática dos séculos XIX e XX. A internet ainda é usada, geralmente, como tampa-buraco ou enfeite nas salas de aula tradicionais", acrescenta Harasim.

O professor de informática Jean Marconi, de Brasília, acompanhou de perto a dificuldade imposta pelos novos recursos tecnológicos. Quando o colégio onde trabalha investiu pela primeira vez em equipamentos digitais, a direção não se preocupou em desenvolver um novo método de ensino nem capacitar os professores. Marconi aproveitou a formação em tecnologia da educação e propôs à escola treinar seus colegas. Hoje, segundo ele, todos já têm contato com as novidades e criam projetos para suas próprias disciplinas. "O colégio tinha a proposta, mas andava a passos lentos. Fui, então, de professor em professor despertando a curiosidade. Consegui que houvesse uma integração entre o conhecimento do educador e a tecnologia. Mas há alguns que ainda têm medo de mexer com essas ferramentas".

Para a pedagoga Sílvia Fichmann, coordenadora do Laboratório de Investigação de Novos Cenários de Aprendizagem (LINCA) na Escola do Futuro da USP, um dos motivos pelos quais os professores ainda resistem em utilizar a tecnologia é o receio de perder o posto de detentor único de conhecimento. "A internet rompeu com uma série de paradigmas. O professor, hoje, tem de se conscientizar de que não sabe tudo e precisa ser muito mais parceiro do aluno na busca pelo saber", afirma. Sílvia diz que não é fácil lidar com as novas ferramentas, mas cabe ao educador coordenar e orientar as tarefas. "O problema é que existem três tipos de professor: os que preferem o método tradicional, aqueles que não sabem utilizar a tecnologia e, finalmente, os que se adaptaram ao novo contexto. Eles convivem em uma mesma sala de aula, o que impede a adoção completa da tecnologia", completa.
Criar um blog foi a alternativa encontrada pela professora de ciências carioca Andrea Barreto para incentivar o hábito da leitura entre seus alunos da rede pública. Sem recursos, ela criou um espaço virtual, no qual os jovens podem tirar dúvidas e participar das discussões feitas em sala de aula. "Percebi a necessidade de ensinar dentro desse novo contexto depois que vi o desinteresse dos alunos. Mesmo os alunos mais carentes acessam a internet das lan houses e isso aumentou o rendimento", observa.
Mas a educação high-tech também oferece riscos, sobretudo devido à variedade de informação presente na web. Com a experiência de quem mantém um blog, tem conta no Orkut e usa diariamente o MSN, o professor de química Paulo Marcelo Pontes, de Recife, diz que não há como evitar que um aluno deixe de acessar bate-papo ou qualquer outra ferramenta disponível na rede. "Competir com isso traz mais desestímulo do que satisfação. O professor tem de produzir materiais e conteúdos que façam os estudantes participarem ou se interessarem pelo que está sendo divulgado", conclui.